CRÔNICAS

A educação é tudo!

capa jpg.jpgO primeiro mandamento da Lei de Deus é um convite ao Amor. Nele está contida a exortação de amor sobre todas as coisas e ao próximo como se fosse a extensão de nós mesmos. O que vou assuntar logo a seguir parecerá inicialmente desconectado, mas não está. Vou chegar lá, e, no lugar onde a razão deve fluir, mostrar. Adianto que tal possibilidade, a de estar escrevendo este texto regida por um impulso, foi obra pura da leitura de um artigo onde subtraí reflexão e inspiração para abordar um assunto de tão grande relevância, a meu ver, lamentando a superficialidade com que será tratado. No momento ao qual me entrego não conseguirei fazer diferente. E prossigo.

A velha crença do determinismo genético vem ao plano das reflexões movida pela potência inescusável do ambiente (Educação) formador da civilidade humana, conforme consta na matéria escrita por um neurocientista, relatando seus achados sobre o funcionamento comportamental dos psicopatas . Em sua experiência de estudo, o pesquisador descobriu as semelhanças existentes entre as imagens cerebrais de indivíduos psicopatas e imagens de seu próprio cérebro, observando as regiões em que as atividades neuronais eram reduzidas e coincidiam com as dos sujeitos estudados, particularmente, nas áreas que a ciência diz responder pelos comportamentos de: empatia, autocontrole, agressividade etc. Bom, o achado certamente deve ter surpreendido o estudioso.

Porém, não o paralisou. O cientista foi em busca da sua história de vida, colhendo relatos de sua mãe e pessoas próximas que conviveram e conviviam com ele. Muitas vezes, são estas (as pessoas que convivem conosco e observam os momentos sem uso das máscaras sociais) que conhecem nossa forma de ser, sentir e agir e, com as devidas ressalvas, auxiliar no conhecimento do comportamento no dia a dia da vida. Bem, não deu outra: Realmente o neurocientista apresentava características da personalidade psicopática. Entretanto, o próprio, descrito pelos diversos depoimentos, inclusive o de sua mãe, não pôs em uso pleno as facetas psicopáticas sugeridas pelas imagens cerebrais. O que denotou , conforme as palavras do cientista e da própria mãe dele, o poder atuante de uma boa educação, de uma boa orientação, do acompanhamento próximo na formação do indivíduo. Talvez possa não gerar milagres, mas a educação produz efeitos positivos na história de muitos que poderiam trilhar caminhos de desatinos. A sociedade, na representação da família, e os governantes, respectivamente, micro e macro estrutura, tem papel fundamental na esfera da formação e valorização do ser para uma trajetória de vida digna. Não uma trajetória orientada exclusivamente para a posse, o ter. Mas uma trajetória iluminada para o investimento no ser, pois esta, acredito, conduz ao caminho do ter pelo esforço e consciência de dever ao qual se guia ou se deixa guiar. A sociedade, em se subtraindo da parcela de responsabilidades no tocante à política de redução das desigualdades e formas de acesso a melhores condições de vida, contribui de forma estupenda para o fomento das mentalidades psicopáticas. Não é difícil parar e observar o contexto de miséria que muitos vivem, ou melhor, sobrevivem. Alguns aprendem justamente isso: A sobreviver. E grassa assim, a maldade, o crime e a corrupção, que atinge não somente os desafortunados, mas os abastados também, que se não vivem ao relento nas ruas, vivem ao relento do vazio de alma, por excesso de mimos e precária atenção e orientação. Uns cercados de conforto, outros cercados pela gritante miséria material. Ambos desnudos da necessária intervenção do amor que sinaliza o caminho correto sem rota de fuga, pois é fato, as tendências se manifestam desde cedo, desde que somos bebês e alimentados narcisicamente, tudo que fazemos parece ser irrepreensível, engraçado e lindo. Todavia, buscando o primeiro mandamento da Lei de Deus, na obra máxima de Amor, e, considerando o contexto ao qual vivemos, não deveria ser postergada, retardada. O momento é de intervenção, sobretudo, de ações educativas, de orientação e ensinamento de valores para a vida na vivência coletiva.

Autora Ana Meireles

 

 

Revista Literária

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