MURAL

EM BREVE, ENTREVISTA COM A AUTORA CARINA LUFT
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Carina Luf – Autora
Carina Luft é montenegrina, assistente executiva bilíngue, especialista em administração de empresas. Integrou antologias de contos, escreveu para o teatro-empresa, foi cronista dos jornais O Progresso e Ibiá, comentarista do Programa Pauta Livre na TV Cultura e apresentou “Um Minuto de Literatura” na mesma emissora, em Montenegro. Em 2008, foi vencedora do I Prêmio AMES/Jornal Ibiá na categoria conto e lançou seu primeiro romance policial, em 2010. Fetiche foi finalista do Prêmio Açorianos em 2011 e publicado na Alemanha, Áustria e Suíça em 2013. Em 2014, Carina publicou seu segundo romance, Verme. Em 2015, concedeu o direito autoral da obra Fetiche para a Editora Oksimoron da Croácia. Foi Patrona da 13ª Feira do Livro de Montenegro e 9ª Feira do Livro do Vale do Caí. Desde 2002, vem fazendo cursos com Luiz Antônio de Assis Brasil, Luiz Ruffato, Léa Masina e Marcelo Spalding, e fez oficina literária por oito anos com Charles Kiefer. Carina faz bate-papo com jovens nas escolas da região onde fala sobre a importância da leitura e criou neste ano, na sua cidade, o projeto “Meu negócio é ler!”, um clube de leitura.

O FATOR DEUS, CRÍTICA AO TEXTO ORIGINAL DE JOSÉ SARAMAGO

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Evan do Carmo

O problema do “Fator Deus” de Saramago é que ele não discute de fato, “se Deus existe ou não “. Além do fato de cometer um equívoco amador, quando atribui uma máxima de Dostoiévski a Nietzsche. “Se Deus não existe então tudo é permitido” Eu lamento que um escritor tão renomado como ele não tenha tido cuidado ao citar como embasamento um autor que parece desconhecer. Penso que o escritor que se autodenomina ateu ou cristão quer, a meu ver, chamar a atenção do mundo para sua obra, quando o ideal seria chamar a atenção pela obra e não pela crença ou descrença.

Eu antes citei, em algum lugar, em um livro meu, o livro fraco de Saramago, Caim. Agora que ele morreu, alguns leigos andam lhe atribuindo honras de santo. Acredito que até uma ou outra ala da igreja católica o venera também, afinal, este adorável ateu se tornou o único escritor de língua portuguesa a ganhar o famigerado Prêmio Nobel de literatura. Critico-o, com forte razão, porque não me parece razoável que um indivíduo tão estudado não tenha percebido que existe na alma humana algo divino. Não importa o nome de Deus, se é Javé ou Jeová, fato é que a razão em si aponta uma inteligência superior. Mas nosso querido espírito português talvez tenha sido em grau extremo vitima da miséria e por esta razão nunca desenvolveu nenhum coeficiente de fé.

Sobre os seus argumentos – a desgraça humana, as guerras santas, as ideologias cegas e insanas do oriente ou a quantidade de mortos por questões políticas – nada disso serve como um argumento racional para quem conhece a fundo o outro lado da moeda, para quem sabe das origens das barbáries nos homens. A ignorância dos indianos, a crença em animais, não revela apenas um Fator Ignorância, atraso mental, conseqüência de vidas miseráveis e tribais?

Ainda fica evidente, para mim, que esta descrença dos literatos serve apenas para proteger suas inanes consciências, quanto à miséria dos seus irmãos. Muitos enricam, ganham prêmios milionários, por terem ousado pôr o dedo no olho de Deus, mas pouco ou quase nada fazem pelos miseráveis.

Quando um espírito avança em conhecimento, quando chega ao topo da torre de babel, ele não se contenta mais com algo que não lhe pareça lógico e por algum tempo fica perdido, por que não consegue explicar o “COGITO, ERGO SUM”! Prefiro os sábios que não precisam negar o divino para viver o profano. Cumpre lembrar ainda, que poderíamos usar o Fator Divino em vez do “Fator Deus”, pois o que deve ser entendido e aceitado, para melhoria da humanidade, é a percepção da essência superior da razão espiritual no homem.

Por Evan do Carmo

Evan do Carmo. Brasília 19/06/2010

 

Revista Literária