Sobre chegar e partir

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Por Ederson Marques

Gosto de escrever. Não me incomoda escrever, ler, reescrever, reler… É um processo criativo e de aperfeiçoamento de uma técnica antiga, que remonta às pinturas rupestres de nossos ancestrais. Esta noite, ainda quando eu cochilava tentando engatar um sono profundo e de descanso, veio-me a lembrança de um poema que surgiu em minha cabeça quando estava sendo zoado por Eduardo e Carolina no carnaval. Aliás, os dois se uniram contra minha pessoa e nem a Renata, sempre solícita, conseguiu sair em minha nobre defesa. Mas essa é outra história.

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“CARTA AO SR.” B. SANDRA BOVETO

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Em breve, no Brasil

Sr. Ser Humano B,

Como Ser Humano C que sou, acredito que eu possa falar em nome do Ser Humano A, aquele que você já agrediu e, tantas vezes, menosprezou com o seu escárnio preconceituoso e raso.

Como você já demonstrou saber (por meio da sua não aceitação), há entre nós, humanos, diferenças tais como a embalagem, o lugar ocupado no espaço em dado momento, a forma de assimilar o mundo e a de manifestar-se… entre outras, identificadas de acordo com a “taxinomia pessoal” utilizada. Mas, regra geral, elas são adaptáveis, mutáveis ou superáveis, dependendo do nicho de cada um, e da capacidade, oportunidade ou desejo de sair dele, é claro.

Sim, até a embalagem é opcional atualmente, diante de tantas possibilidades de cirurgias plásticas, maquiagem… e até mesmo o photoshop. Aproveite!

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Um despertar na noite fria

Um despertar na noite fria

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Idalina de Castro – Jornalista

Ela se sentia perdida. Por vezes, era como se lhe faltasse o rumo certo. Olhava em volta e não via caminhos. Na verdade, ela não sabia por onde caminhar, por onde recomeçar… Lembrava de um tempo, de uma menina de olhos cheios de promessas, feita de sonhos, um bocado de leveza, inocência e ousadia. Uma menina que adorava dançar na chuva, que reverenciava as primeiras águas que caiam depois de longa temporada de seca dançando a música da liberdade desmedida.

Aquela menina lhe visitava muitas vezes as lembranças, como agora, em noite de tempestade lá fora. Era uma menina que corria com o vento, atrás das borboletas depois das chuvas, nas tardes de arco-íris, no exato ponto em que o céu se encontra com a linha do horizonte. Uma menina que sabia sorrir, sem pausas, e carregava em si um universo de fantasias.

Da janela, olhando a rua vazia, há pouco silenciosa, agora preenchida pelo barulho da chuva e do vento, que açoitava os galhos das árvores, sentia a cabeça pesar vazia de sonhos e um peso de anos posto sobre as costas. Então, fechou os olhos para buscar os sonhos perdidos no caminho da vida de adulta. E os sonhos, coitadinhos, que foram se amiudados, aniquilados e adormeceram num canto pouco iluminado da memória, como produtos supérfluos jogados uns sobre os outros numa velha gaveta de coisas que não servem para nada.

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JUVENAL BUCUANE

MEU MAR, LIVRO DO POETA JUVENAL BUCUANE

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MEU MAR – BUCUANE

O livro em suas vistas, meu caro leitor, “Meu Mar,” do poeta moçambicano, Juvenal Bucuane, é uma pérola negra, uma joia de rara beleza. Esta obra que ora edito, com imenso prazer e orgulho, foi uma dádiva das alturas, que me foi enviada por outro espírito especial, Ernesto Moamba, nosso primeiro autor de além mar, a ser descoberto e apresentado ao mundo por nós.

Os poemas de Bucuane são de alta sensibilidade, romântica e poética. Um livro inteiro, dedicado ao amor por sua musa, Ana Maria, sua esposa, amor este que o poeta expressa em poesia de alto gosto e padrão.

Não são poemas comuns, com exageros verbais, sem coerência, são poemas líricos, fala de um amor maduro, resolvido, mesmo assim, sem deixar de exaltar a beleza e a candura da musa, para ele única e insubstituível.

Não tenho nenhuma reserva para admitir, sobretudo pelo conhecimento que tenho da matéria em curso, que neste livro, Juvenal Bucuane supera, com todas as honras que lhes são devidas, aos 100 poemas de amor escritos por Pablo Neruda… Aliás, desafio quem tiver alguma dúvida ou receio em concordar que eu de fato esteja certo, a conferir se o que afirmo é ou não uma verdade inquestionável…Lhes garanto, meus caros amigos, que até Vinicius de Moraes, que é muito melhor que Neruda nesta temática, não concorde comigo…

Brasília 30/01/2018
Evan do Carmo

ASSIM SEI AMAR-TE

Só assim sei-te amar,
Ana,
entregando-me todo a ti,
para que me amordaces em ti mesma,
como se fosses um totem!
Sentir que as tuas tranças
me cingem a musculatura
e me amolecem o vigor,
para que eu morra em ti enroscado…
Só assim sei-te amar,
Ana,
penetrado em ti
até à ínfima porção de mim!
Sentir a vida a esvair-se-me
enlouquecido pelo langor
dos teus lábios bordejado
e hipnotizado pela alvura possessora
dos teus olhos em êxtase…
Só assim, Ana
Sei-te amar, com todo o meu ser!

Acesse a obra, na amzon.com

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Do livro- Ensaiando o que não viveu

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Ana Meireles

Sim, do livro que escreveria não sabia ainda o número de páginas. Quase sempre se comprometia de preencher o vazio e a vazão dos dias com uma página de manuscrito terminada. Achava que assim a obra nasceria pela força perseverante de uma promessa que fizera a si mesma em um momento de imprevidente decisão.

E todos os dias seguia sem lembrar da incumbência que se determinara. O tempo, o tempo era novo quando de seu projeto de livro lembrava, mas no curso vertiginoso das horas que passavam, sem uma linha sequer lembrar de escrever, se dava o hiato de vida que se impedia de conhecer. Pois, quando se punha a escrever , confabulava, e acontecia de um verbo de luz descer com imersão de pensamento sem parar. E ela já sabia, já sabia, não para, não para, se dizia, a licença do Poeta corre a teu favor, corre, corre junto…Não permita freios nas imagens que não queres que apaguem, mas que irão se apagar. Experimente dar saltos e rodopiar, ver em altiplano as palavras sem comando deslizar, ir, ir, como se completamente seduzida estivesse pelas garras do pensamento a lhe dominar.

Era de suma importância que , na sua memória pudesse ficar grafada. Mas, como uma tortura, nenhuma garantia lhe afirmava que o vento das palavras possuía corpo de entrega, tinha somente corpo de passagem. Por isso, muitos não a entendiam e lhe condenavam. Tinha, sim, planos de escrever um romance, um romance da vida que ensaiava namorar. Todavia, já achava que era tarde, o tempo havia iniciado a sua prensa de desbotamento, desbotando na sua memória as histórias que sonhou e escaparam pela porta do esquecimento. Já sabia agora quão era verdade que a memória e o tempo são os dois frios pincéis, vorazes , que pintam com tons cinzentos as cores vivas do Amor. Quem dera ainda houvesse neles, uma porção generosa do suprimento das cores: Vermelhas, azuis ou amarelas, para , sem temer o tempo se dobrar, fosse em perseverança capaz de criar , um romance dentro de um livro , ensaiando o que não viveu.

Ana Meireles

Revista Literária