POEMAS

MAIS FORTE
 
é tanto tempo
e pouco espaço
e no entanto
é neste contratempo
que eu forjo o aço
e deste
me faço
mais forte, porém mais frio
mais duro, mas oxidável
e sigo assim
inexorável
rumo a um desconhecido norte
em busca da boa sorte
para que tudo
volte ao prumo
muito antes
contudo
do possível fim
ou ainda
da esperada morte

 

 

Sorriso

Leva teu sorriso em mim
E serei o teu chão
Tuas paredes
Tuas janelas de vidro.

 

Leva teu sorriso em mim
E eu serei o teu pão
Matarei tua sede
Serei teu gole de vinho.

 

Traz o teu sorriso
O mais sem graça
Que eu o faço cínico
Traz o teu sorriso
A cara fechada
Que eu te perco o juízo.

 

Traga você.
Leva o meu sorriso pra ti
E eu serei o teu banho
A lágrima no teu corpo
A tua tolha seca.

 

Leva o meu sorriso pra ti
Eu te farei um canto
Do meu próprio espanto
Pra te tirar da mesma.
Victor Victório
Sinto
Não sei se sinto
Ou tô querendo sentir
A tua falta
Do teu jeito de sorrir
Que vive um segundo
Que me leva a um mundo
Desconhecido
Onde eu era bem recebido.
E agora sinto falta
Da tua mão na minha
Me defendendo do frio
Do que a gente tinha (e não tinha)
E o que a gente não viu (e viu)
Da tela grande
De mais uma chance.
E agora eu sinto falta
Do teu perfume
Do que eu sou imune
De mim
De ti
E de quando eu não sabia
Quando teria um fim
E se teria.
E se eu disser que não a tua falta
Eu não sei se sinto
Eu minto.
Victor Victório

 

Engenho de Deus

Será engenho de Deus esta vida

dolorida demais para aguentar
se a corrida se perde é desatino
se chegamos mais cedo é azar

 

Será engenho de Deus esta vida
dolorida demais para aguentar
pescadores em barco sem destino
naufragados no abismo do além mar

 

Será engenho de Deus esta vida
dolorida demais para aguentar
a corrida não é do mais ligeiro
chega cedo aquele que fraudar.

 

Será engenho de Deus esta vida
dolorida demais para aguentar
perde-se a força na labuta infinda
sem descanso há peleja noutro mar.

 

“Evitemos todo tipo de insanidade religiosa concernente à eternidade, pois a única possível ao homem até agora foi a literatura.”

 

DESUMANO HUMANO

É deprimente pensarmos na semelhança

entre a mente humana de agora
e a mitológica Caixa de Pandora (na verdade um jarro).
Na perseverança do homem
o jarro já se via derramado
e apenas a esperança
nele ainda contida
segurava-se em cada lado.
A boca do homem
é a boca do jarro
e delas saíram
todos os tipos de escarro.
A crítica humana
quase sempre anestesiada
é demasiada desumana.
Com pouco tato
destruímos a firmeza moral de um bom caráter
por um único ato.
A hombridade
que leva anos para formar-se e consolidar-se
desfaz-se de imediato
aos olhos do humano nato.
Temos o julgamento e a condenação prontos
antes mesmo do fato
e tampouco nos pautamos
pelo sensato.
Basta uma pequena e infeliz ação
para devolvermos em pesada e desproporcional reação.
Não foi assim que Newton
o gênio
não obstante humano
nos ensinou.

Autor: Everton Medeiros

 

Vestida de si sem seda

Nua ela nasceu. Nua ela permanece.

Seus sonhos não se vestem nem se cobrem de censura

Na loucura da sua santidade intrépida

Ela despe-se de toda amarra

É a sua própria senhora

A estrela protagonista da sua saga

Sua coragem dispensa couraças e escudos

Seu frio interno não precisa de coberta

Sua alma se agiganta nas suas escolhas

Com destemor, escreve sua sorte

Livre de conceitos, preconceitos, acordos sociais

Desfila sua verdade nua pelas ruas

Sem cinismo, sem olhar em volta

Ela nasceu vestida do seu sexo, gênero e gênio forte

É dona da sua própria poesia

E inspira poetas loucos e lúcidos

Não é popular nem incógnita

Mas jamais passa despercebida

Livre na sua essência singular

É mulher forte

Nua ou vestida de si própria e da sua nobreza

 

Idalina de Castro

O Rumo das Palavras

 

Não sei o rumo que as palavras tomam
depois de dissecadas na leitura crua.
Nomes e Conceitos buscando um berço
o enlevo da emoção
na razão que a mente escava
farejando os sentimentos
à forma de nexos e complexos
eixos neuróticos e nervosos
figuras paradoxais
vestes de “ EUS”
entorpecidos e obtusos
da alma sem cantil
para ler e beber.

 

Não sei o rumo que as palavras tomam

nos seus sentidos devanescentes
às vezes beligerantes e metamorfoseantes
alquimias intrigantes que à fina compreensão escapa.
Leitura oca da palavra frouxa
que ameaça o espírito da escrita louca.

 

Não sei o rumo que as palavras tomam
sem enredo num pergaminho
correndo soltas como ingênuas moças
desnaturadas na interpretação.
É uma sina triste e tosca
ficar prisioneira na interrogação?

 

Ana Meireles

 

 

EGO-METAFÍSICO

Durante o caos da noite
quando nos fogem os sentidos
todo homem é igual
em suas incertezas
dúvidas e desconfianças.

É durante a noite
em nossas insônias
entre culpas e remorsos
que nos tornamos crédulos
a ponto de acreditar no impossível
temos a clara convicção
de que amanhã seremos melhores.

Todo o homem, durante a noite
faz as pazes com seus deuses
mas ao amanhecer,
depois de tomar seu café
é então que, diante do espelho
quando lava seu rosto de barro
ao contemplar a beleza da mortalidade
o homem enxerga outro deus
a quem deve ser leal e obedecer!

Evan do Carmo

 

DE ANGRA A PARATI!

Sonhos e alucinações me são frequentes

ao me lembrar do que nunca houve entre nós,

como um aceno teu, um sorriso complacente

de ti para mim, nem mesmo em pensamentos

me foram reveladas as tuas intenções

as imagens são curvas, sombras, calafrios

às vezes pesadelos.

 

Do teu corpo sinuoso nunca senti sequer o perfume

no máximo uma dança de corpo presente

e de alma distante… um aperto de mão,

um breve adeus, um até breve,

quem sabe um telefonema.

 

Assim me encontro, impávido,

com um incerto destino desafortunado

sempre na expectativa enfadonha

de um dia voltar a te encontrar

como quem anda por estradas perigosas,

curvas, florestas e praias desertas

de Angra a Parati!

 

Evan do Carmo

 

BRAÇOS VERTICAIS

Preso, sutilmente, à uma frágil linha
lançada na dúvida, na sombra, no nada;
quer se grande e pequeno, se enfada
procurando a linha, o passo, a rinha.

E como nada do que queria ele tinha
se foi novamente à farsa encabulada,
fez um novo caminho nesta vil estrada
procurando a si mesmo nos que nela vinha.

E em meio à conversas e a indago
(na procura de suas dúvidas memoriais)
perdeu sono, pediu linha, bebeu trago

pelos becos, pelos bares, pelos cais.
E sem mãos, sem beijos e sem afago:
deitou-se calmo em braços verticais.

OXORONGA, Alufa-Licuta

 

EXISTEM OUTRAS PEDRAS POR AÍ

Um poeta no meio do caminho
com uma pedra enorme na cabeça
que de tão pesada lhe faz sentar.

Atrás do poeta anda um filósofo
que tenta ajudar o poeta
a carregar seu fardo
o poeta, contudo, reluta
não ceita a razão nem a lógica
e permanece rígido, inflexível,
avesso à retórica
a pedra é imensa,
maior que a consciência do filósofo,
que perde o fôlego e o argumento…

O poeta e sua pedra,
continuam no caminho
a pedra, que de tão grande
poderia ser repartida em mil pedaços
a pedra, se dividida entre mil poetas
saciaria a fome de todos eles
a pedra é a poesia,
e se fosse compartilhada
poderia amenizar as dores do mundo.

Evan do Carmo

 

TAÇA VAZIA

enquanto a taça se despe
a vida se despede
enquanto de doses de vida me dispo
por dentro eu me visto
e diviso
o vermelho das paixões não vividas
vejo desejos em gotas de sangue
suadas
choradas
em química seca mitigadas
é acre
salgado
amargo
mas nunca doce

desejo de vinho não é doce
vida doce não põe vontade no vinho
não a vontade de fogo
rubra
monocromática
imersa
até a última gota

o que de tudo sobrou
estava na taça
e quando a taça se despe
algo da mente amortece
esvazia
a taça ficou vazia
quando tive o que queria
do que antes não me foi dado
quando tive o prazer de ter
deixei de ter o prazer do que viria
o aroma
a cor
o sabor que acende o desejo
secaram
quando a taça ficou vazia

(Sandra Boveto)

Acesse o site da Autora http://www.sandraboveto.com

Poema presente no livro Um Brinde à Poesia / Editora Do Carmo  

QUE DOR É ESSA?

Que dor é essa
Que nunca cessa
Que dor é essa
Que nunca passa

Que dor é essa
Que não serena
Nem com uma reza
Nem com cachaça.

Que dor é essa
Que não recua
Que doe no peito
E n’alma nua

Que dor é essa
Que todo dia
Cedo me acorda
Em noite fria

Que dor é essa
Que não sacia
Que roí a carne
Triste agonia.

Que dor é essa
Que rouba o sono
Febre terçã
De abandono

Que dor é essa
Trevas e abismo
Sangue cristão
Cruz-demonismo

Que dor é essa
Que aflige o homem
Descrença e morte
que me consome

Que dor é essa
Dádiva e ofício
Espinho em brasa
Fim do suplício.

Que dor é essa
Meu caro irmão
Cravo na testa
Prego nas mãos

A NOITE VEM

A noite vem
Para cobrir a selva de pedras
Com a sua manta estranha
Nem negra nem cintilante
Que sonega a alma das estrelas

A noite vem
Para revelar a luz dos homens
E os seus fantasmas
Suburbanos e favelados

A noite vem
Mas ainda estou no trem
Que acorda às quatro
E assim como eu
Adormece à meia-noite

A noite vem
E com ela a paralisia
Para dar vida às tarântulas famintas
Que tateiam as minhas costas
Desde os doze anos

A noite vem
Para que ao amanhecer
Todos meçam
O quanto são vencedores.

Da Silva Júnior

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 Grito

Este é mais um

Daqueles momentos

Execráveis e angustiantes,

Que culminam na dolorosa

Incerteza do saber…

Onde impera a confusão,

Ainda mais que antes;

Quando a alma fica frágil,

E quase nada há a fazer…

E em desespero, eu grito!

A psique deteriora

E logo fica estraçalhada,

Pois o caminho a seguir

Parece desaparecer…

Só enxergamos, lá trás,

As ruelas já trilhadas,

Insólitas e desoladas,

Não se sabe o porque…

E uma vez mais, eu grito!

Todo o certo de antes,

Permanece semiapagado,

E as poucas referências,

Impossíveis de se ver…

O concreto é abstrato,

O futuro é rabiscado,

E esta vil utopia é tudo

Que nos resta pra viver…

E, uma última vez…

Em vão… Eu grito!

Nardélio F. Luz.

http://www.correiodeuberlandia.com.br/blogs/escreve-ai/escreve-ai-grito/ 

SE DO CONTRÁRIO O SONO ATAR-ME

(Autor: Leon Cardoso)

Se depois, de em vida ainda,
Minha face empalidecer contente
Será da loucura viva advinda
O que a tornou tão comovente.

Se depois da vida restar profundo
Algum pensamento confirmado
Direi que é obra de outro mundo
E que meu espírito foi encontrado.

Se do contrário o sono atar-me
E eu me esquecer com toda a sorte,
Ficarei certamente sem encontrar-me.

Direi que o nada é enfim suporte
Para quem se desapega da fantasia
E reconhece na ausência a própria morte.

 

NÃO IMPORTA!

 

Cada pingo é um momento.
Cada choro um sofrimento.
Cada sorriso um alívio.
Cada abraço um acotecimeto…

 

Um abraço de amigo.
Um abraço de amor.
Um abraço de paz.
Um abraço na dor…

 

Um sorriso de vitória.
Um sorriso de desejo.
Um sorriso de, eu posso!
Um sorriso de, um dia eu te vejo…

 

Um choro de tristeza.
Um choro de alegria.
Um choro de, eu consegui!
Um choro de magia…

 

Um pingo de esperança.
Um pingo de saída.
Um pingo de Fé.
Um pingo de amor a Vida…

 

Temos corpo e temos alma!
Temos mente e razão!
E temos sim, o “Sangue Vermelho”!
Não importa Cor da Pele, Raça ou Nação!!!!!!

 

Junior da Prata

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Revista Literária

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